CIESP - Cadastro Industrial do Estado de São Paulo
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Atividade industrial de SP cai 2,5% na passagem de julho para agosto

INA, da Fiesp e do Ciesp, deve mostrar retração de 6% até o final de 2015, ano que será o pior desde o início da pesquisa

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Indicador do Nível de Atividade (INA) da indústria paulista caiu 2,5% na passagem de julho para agosto, segundo leitura com ajuste sazonal, e deve encerrar o ano com uma queda de 5,8%, com viés de baixa. Este é o segundo ano consecutivo de queda do INA, fato inédito na história do levantamento, iniciado em 2002 pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp.

Na avaliação do diretor do Depecon, Paulo Francini, o arrefecimento da atividade industrial nos últimos dois anos reflete uma crise econômica e de renda, cada vez mais grave, do consumidor nesse período. “Esse é o dado dessa crise que está à vista: a sociedade está empobrecendo velozmente.”

Em 2014, o desempenho da indústria paulista caiu 5,9% na comparação com o ano anterior. Para Francini, “2015 já está perdido e vai ser o pior ano da indústria de toda a série que nós fazemos. É um desastre em termos de dimensão da queda e da perda de emprego”.

Neste mês, a Fiesp e o Ciesp divulgaram que a indústria paulista havia registrado um saldo negativo de 26 mil empregos na passagem de julho para agosto. A previsão do Depecon para o final do ano é de pelo menos 200 mil vagas a menos.

Francini afirma que, em meio a forte desaceleração da indústria, ainda não é possível prever o comportamento deste setor ao longo de 2016. “Eu diria que se tiver alguma dúvida para colocar sobre a mesa é o que vai acontecer em 2016. Há uma visão mais ou menos otimista ou pessimista”, diz.

Números negativos

Segundo apuração do Depecon, no acumulado dos 12 meses o desempenho da indústria caiu 4,7% em comparação com igual período anterior. De janeiro a agosto, a atividade industrial já amarga uma queda de 4,6%. E se comparado com agosto de 2014, o indicador deste ano apresenta queda de 9,5%.

Francini reitera que os próximos resultados devem apresentar piora do desempenho do setor no Estado de São Paulo. “Agora é o período em que a indústria deveria estar mais ativamente trabalhando, por conta do fim do ano, e ela não está. Então, 2015 já é um jogo jogado.”

O diretor do Depecon também alerta para um comportamento negativo disseminado entre os segmentos da indústria. Dos 20 setores avaliados pela pesquisa da Fiesp e do Ciesp, apenas três anotaram aumento de sua atividade em agosto.

“É preocupante porque, na verdade, a crise vai se espraiando. E quando é crise mesmo, é espalhado”, completa.

Ainda de acordo com a pesquisa, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) caiu para 75,7%, contra 77,1% em julho.

Setores

A indústria de móveis exibiu a queda mais expressiva em agosto, com uma variação negativa de 14,9% na comparação com julho. A variável que mais contribuiu para essa contração foi o Total de Vendas Reais, que despencou 26,6%.

“Quando [o setor de] móveis cai dessa maneira é porque a sociedade está empobrecendo. É um setor muito importante para a família média, que é consumidora”, afirma.

O setor de veículos automotores também registrou forte queda entre julho e agosto. A atividade desse segmento piorou 3,6%, influenciada, como a indústria de móveis, pela queda de 12,1% no Total de Vendas Reais.

A atividade da indústria de químicos também retrocedeu, 0,9%, no mês, com perda de 1% na variável Horas Trabalhadas na Produção. O segmento apresenta queda da produção. Segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) a produção do setor, principalmente ligado à fabricação de adubos e fertilizantes, diminuiu 3,6% de janeiro a julho deste ano.

Percepção em setembro

A percepção do setor produtivo em relação à economia de modo geral piorou 4,6 pontos em setembro contra agosto, para 43,8 pontos, ante 48,4 pontos no mês anterior, com ajuste sazonal. A variável Mercado, que compõe o índice, também caiu este mês, 9,1 pontos, para 42,5 pontos, versus 51,6 pontos em agosto.

Leituras em torno dos 50 pontos indicam percepção de estabilidade do cenário econômico. Abaixo dos 50,0 pontos, o Sensor sinaliza queda da atividade industrial para o mês; acima desse nível, expansão da atividade.

No caso da variável Estoque, leituras superiores a 50,0 pontos indicam estoque abaixo do desejável, ao passo que inferiores a 50,0 pontos indicam sobrestoque.

O item Estoque ficou em 42,3 pontos no mês corrente, contra 46,7 pontos em agosto. E a percepção quanto ao Emprego piorou para 40,7 pontos em setembro versus 46,4 pontos no mês anterior.

A variável Investimento também caiu para 43,9 pontos este mês, contra 46,3 pontos no mês passado.

Setor produtivo na campanha contra aumento de impostos “Não Vou Pagar o Pato”

A calçada do prédio da Fiesp e do Ciesp, um dos endereços mais conhecidos de São Paulo, recebeu nesta segunda-feira (21) mais de 100 representantes da indústria, do comércio, dos serviços e da agricultura para o lançamento oficial da campanha contra o aumento de impostos “Não Vou Pagar o Pato”. Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, explicou durante o evento que a campanha foi criada para conscientizar a sociedade sobre a carga de impostos e evitar novo aumento da carga tributária.

“Estamos mostrando o imposto já está nos preços da geladeira, do smartphone, do material escolar”, afirmou Skaf na entrevista coletiva simultânea ao lançamento da campanha. “Material escolar tem 40% em média de impostos”, lembrou Skaf. Mesmo sem saber, as pessoas pagam impostos. “Naquela geladeira de R$ 1.000 ele colocou R$ 400 de impostos”, exemplificou.

“Não estamos aqui debatendo imposto da indústria, do comércio, de serviços ou de tecnologia, nós estamos, como brasileiros, de forma horizontal debatendo o imposto que está sobre as costas do povo brasileiro, da sociedade brasileira, das empresas, das famílias, que prejudicam tanto a competitividade e o desenvolvimento do Brasil”, disse Skaf. “Não é uma campanha da Fiesp, é uma campanha de todas as entidades que estão aqui”, ressaltou.

“O que nós, entidades do comércio, dos serviços, da agricultura, da indústria, tecnologia, transporte, estamos fazendo é dizendo o seguinte para o governo: corte as suas despesas, acerte as suas contas, faça o ajuste fiscal de maneira que seja saudável para o Brasil”, afirmou Skaf. “E a maneira saudável para o Brasil é o governo eliminar os desserviços, os gastos exagerados”, completou.

CPMF

“Não tenho dúvida que a sociedade fará pressão muito forte junto aos congressistas”, disse Skaf, para evitar aumento de impostos e a recriação da CPMF (o imposto do cheque, extinto em 2007 graças à mobilização popular, com importante papel da Fiesp). “E não tenho dúvida de que os congressistas reagem às pressões da sociedade.”

A campanha já decolou, com 2 novas assinaturas por minuto incluídas no site. A estratégia de divulgação inclui anúncios de página inteira em jornais de grande circulação, como Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, revistas semanais, como Veja e IstoÉ, spots de rádio e comerciais de TV.

A mensagem das peças publicitárias é clara e direta. Os comerciais de TV, em linguagem parecida com os anúncios de grandes lojas de varejo, mostram o preço de produtos como geladeiras e celulares e o valor dos impostos em cada um. Exibidos para os representantes de entidades de diversos setores em reunião realizada também nesta segunda-feira, antes do lançamento oficial da campanha, os comerciais foram muito aplaudidos.

Os comerciais podem ser vistos no site da campanha, que tem disponíveis para download os modelos para a confecção de adesivos, bottoms, camisetas e outros produtos para divulgar a mensagem contra o aumento de impostos.

A campanha “Não Vou Pagar o Pato” é fruto da Frente Nacional contra o Aumento de Impostos, liderada por Skaf e criada em 3 de setembro, com amplo apoio de entidades de diversos setores.

“Nós não acreditamos em Estado grande, complicado, engessado”, diz Skaf

Também presente no evento, ministro Guilherme Afif criticou a burocracia no Brasil e fez a apresentação do Programa “Bem Mais Simples”

O Brasil é um país altamente burocrático, com muitas questões complicadas que atrapalham e atrasam a vida dos cidadãos. No complicado, o cidadão deixa de realizar atividades e busca alternativas que estão longe do ideal. No simples, os resultados positivos são potencializados. A avaliação foi feita pelo ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, durante sua apresentação no 12º Congresso Estadual de Empreendedorismo do Núcleo dos Jovens Empreendedores (NJE) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), nesta sexta-feira (25).

Segundo Afif, os desafios que o Brasil tem pela frente em relação à busca do simples não dizem respeito apenas ao conceito da legislação. Os resultados valem a pena. “O simples é fácil, o complicado é trabalhoso. O simples é rápido, o complicado é lento. O simples é unanimidade, o complicado é polêmico. O simples atrai, e o complicado afasta. O simples beneficia milhões, e o complicado prejudica milhões”,

O presidente do Ciesp e da Fiesp, Paulo Skaf, elogiou o trabalho do ministro no combate à burocracia, principalmente em um momento de crise, em que prevalece uma imagem ruim da classe política e do poder público.

“Nós não acreditamos em Estado grande, complicado, engessado. Nós não acreditamos em alta carga tributária, que aumentar imposto seja distribuição de renda. Nós não acreditamos que a burocracia, a dificuldade e a complicação levem a nenhum lugar positivo. Nós acreditamos na facilidade, na simplicidade, no Estado menor, em menos impostos”, disse Skaf.

O ministro Guilherme Afif apresentou o programa “Bem Mais Simples” que, segundo ele, é uma ampliação da experiência positiva que foi o programa “Simples” para outros campos, principalmente no atendimento da vida do cidadão brasileiro. “O cidadão é submetido a um massacre burocrático no dia a dia, exatamente porque o Estado não conversa entre si”, comentou.

Afif explicou que o Bem Mais Simples é uma forma de existir intercomunicação no governo, com o objetivo de aliviar a vida do cidadão de tanta burocracia e obter resultados positivos, criando um ambiente simplificado para haver crescimento. “Quando você simplifica e cria uma fórmula de permitir ao cidadão ter acesso aos benefícios sociais, pagar sua contribuição social para a Previdência, de forma totalmente desburocratizada e de acordo com o bolso dele, o sucesso é garantido”.

Tom Coelho, diretor-titular do NJE, explicou que o objetivo do Congresso é reunir e aproximar jovens lideranças para discutir temas importantes para o Brasil. Neste ano, o tema principal do Congresso “Empreendedorismo: Pense Fora da Caixa”. O NJE incentiva o empreendedorismo e a liderança, promovendo eventos, debates e palestras sobre diversas áreas do universo empreendedor.

“Liderança a gente não impõe, a gente conquista. É preciso fazer acontecer, fazer o que é certo, fazer o que é do bem. Liderança precisa ser inspiradora. Saiam daqui com mais informações para empreender melhor, mas também como ser bons líderes, líderes de sua própria vida”, disse Tom Coelho na abertura do evento.

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